quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Deus no bordel


Aquele infortúnio do bar ao lado,risadas vúlgares,vulvas na boca,falos nas línguas,uma mistura de girias sotaques,e falas,falas vúlvarianas e falática.De lá sai um cabra.Cospe lá fora entre os dentes, a cachaça,a água ardente,lembrança do sertão,da terra,de homens valentes,personangens misticos,povo sofrido.Cospe junto a ignorância.

Ela ria,se chacoalhava balançava os cabelos de forma frenética,sua gaganta forte entonavam som de trovão,de gralha,de água saindo da fonte.Mas forçava dissimular entonando lá do fundo a fala vúlvariana.

- Sou rameira,mulher da vida,prostituta e piranha.Confiei meu amor quando menina,a um menino.

E se remechia ao falar,gesticulando suavemente a boca de batom vermeho,e olhando para o céu com seus olhos de jabuticaba.

-Era menina,sonhadora,entreguei meu coração sem pensar duas vezes.Mas a mãe do rapaz mandigueira que só,mudou minha sorte com ele no astral,pois o que sai do bucho depois de 9 mêses ainda é teu,e da para reger.

-Ele me amava,dava regalo,beijo,e me chamava de meu bem querer.Era menino novo,carregava um sofrimento de familia, junto, trazia no espirito o desvairio dos cegos no paraiso de Deus,não podia ver e contemplar a beleza do puro.


E fechava a mão com força,reforçando o queixo.


-Só lembro que afastaram nós,hj não sei qu destino tem ele,só sei que virei puta. Meu corpo é aberto para quem quiser chegar,não me do mais por amor,pois não acredito mais,me dô agora só por dinheiro.Pois é ele que paga minhas contas,me leva para passear,garante minha dormida e minhas refeições.

- Homem pra que? Para te chamar de piranha de graça? Não ,comigo não meu bem.Eu sou cara,por que sou exclusividade.

E olhava de rabo de olho,atrás d seus longos cílios preto,com a mão na cintura para cada homem do bar que a contemplava.Falou suavemente,com sua lingua de Naga:

-Pois nenhum destes homens terá o meu coração.



Äpathie Dread

2 comentários:

Anônimo disse...

Sei lá se você lerá isso. De qualquer forma, vale a intenção. Antes de tudo, adorei teu texto. Você mesma escreveu?

Mais de um ano se passou. Um ano e meio por aí. E reeencontrar o Murilo foi bom porque eu descobri uma coisa: o Murilo qual eu gostava não existe mais. Se perdeu no tempo. Acho que eu gosto mais das lembranças... Não foi só ele, a época era linda. Eu tinha 16 e era bem mais apaixonada pela vida. Mais "foda-se", saca?

O Murilo mata e morre por você. Ele te ama. Não importa o que eu ou o que outra garota faça, pra ele só vai existir a negona linda dele, como ele mesmo diz. Não é comigo, simples paixão adolescente do passado, que você tem que se preocupar. É com a sua felicidade e a dele. Menina, você tem tudo na mão.

Nunca foi minha intenção conturbar a relação de vocês, embora eu ache que você não acredite nisso. Mas vai ser feliz com ele. Eu espero isso, de verdade. O Murilo é um cara bem legal. E você uma menina de sorte que não tem cara de boba não. Muito pelo contrário. Jeito de ser muito sagaz.

Quanto ao urubu tem razão. Mas o que seria dos reis da selva se não existissem os vermes que comem a carniça, limpando o ambiente? O beijinho bobo que rolou entre a gente só serviu pra ele ter certeza que você é a mulher da vida dele (segundo palavras do próprio) e pra mim de que o Murilo é só recordação de um passado que eu só acesso na memória.

Vai ser feliz, menina. Vai ser muito feliz.

Anônimo disse...

Tem razão, teve uma segunda parte, mas foi medíocre (ele teve ejaculação precoce). Se te consola ele estava comigo pensando em você e tentou provar o tempo inteiro que queria - mas o fato é que não era comigo que ele desejava estar. Não foi só um beijo bobo mesmo, foi um sexo bobo também. ?Foi uma noite boba, um encontro bobo, umas conversas bobas... Usei meu melhor lado psicóloga aquele dia. E acredite se quiser, chegou em uma parte da noite em que olhamos um pra cara do outro e nos sentimos dois idiotas! E éramos mesmos!

Estavamos tentando provar para nós mesmos que naquele momento fazia sentindo a gente estar juntos, mas não fazia.

Como eu já disse, o "Murari" pra quem eu fiz aquele poema não existe mais. Não sei se você viu, mas embaixo do texto tem a data de quando ele foi feito. Àquela altura, aliás, ele já tinha me chutado. Nem me lembro mais o motivo...
É você quem faz parte da vida dele. Eu já fui um personagem naquele palco, mas agora, quem está em cartaz é você.

Devo reconhecer que você escreve muito bem. Com uma verdade que me agrada. E sobre este texto "Deus no Bordel", uau! É lindo! Me identifo com ele (não me pergunte o por quê).

Quanto a menina interior, obrigada pelo conselho, mas ela já se perdeu faz tempo, e quando eu tentei resgatá-la, já era tarde demais.

Reafirmo, vai ser feliz.