sábado, 19 de dezembro de 2009

354ª lição


Foi como se me desse uma agulha e uma linha,

o buraco da agulha surperendia-me de tão pequeno,

logo julguei que a linha para passar seria muito grossa.

Me orientou ter paciência,

ser analítica,mas minhas precipitações involuntárias,

sempre insistem em trazer consigo o imediatismo.

Suei,aliás estou suando...

Se eu forçar a linha se desfiará todinha,

e perderei a ponta que seria a mais provável de entrar,nem que seja um comecinho dela.

A pressa...

É tão dificil você querer conviver com ela,

me fez inumeras vezes passar mal ,

pela indigestão de querer engolir de uma vez só,
tudo que eu achava que viria com o viver.

Não mastiguei,

não fiz as quebras de moléculas,

não peguei os nutrientes básicos,

e de dor de estômago mais uma vez me contorci.

Ah,quando respirei,

e em um momento mais desencanado da vida,

um dedo de linha consegui passar pela agulha.



Äpathie Dread

Ps: Só sei que o silêncio de encontrar-se só,ouvindo as batidas do coração e assistindo a organização da mente e da alma.Onde do deleite de uma boa música e as mensagens que se tornarão subliminas com ela,pela minha não tão voltada atenção,é o que me faz apreciar a fase que estou de encarar meus próprios olhos,e não fugir de mim mesma.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O sexo da lótus



Como um engodo,
puxou-me deste mar negro de fúria.
Uma epifania pisciana,
numa noite a uma beira de suicidio emocional na metrópole.
Me refiz dos cacos,
ofegante ,
orgasticamente límpido como o primeiro suspiro sobre a terra,
um radiar de luz divino do chakra do coração,
onde policromatizou as púpupilas dilatadas de tanta intensaidade,
derramavam-se os olhos das órbitas,
os milésimos eram contados pelas batidas do coração,
um,
dois,
três,
quatro,
cinco,
seis,
sete,
Devagar...
Letárgico para não perder um fragmento do piscar,
com as mãos em sua nuca vi a porta da percepção se destrancar,
sútil,
do Sahashara se entregou,
pude dedilhar seu corpo que guardava todas as notas perfeitas,
forjada por titãs em seus infinitos cantos de guerra,
e lacrada pelos deuses em celebração da imensa força divina .
Não iria mergulhar neste mar?
Não pudemos pensar nem meio segundo.
a pureza bela manifestada como uma ninfa virgem do acaso,
magnetizou-nos no marco zero do agora,
fez-se exposição dos impulsos do sistema nervoso,
fazia-se visivel no escuro,
era claro até na diagonal,
o universo em ti que banhou minhas terras de relógios quebrados em barcas,
eletricamente fez-se clarão,
tudo era nítido,
ao mesmo tempo diáfano,
para amortecer a intensidade do astral manifestando-se em solos lúcidos.
A hipérbole dos mortos talvés me toma,
mas a vivácidade das pápilas ácidas tornaram-se doce,
viva! Como um grito glorioso da vida.
Análago a um ser que se desatou dos nós de fogo,
onde arrancava-lhe deste a pele pelejando em burbulhas,
safando-se do inferno,
é instanteneamente abençoado pela mãe,
ligeiro foi parar no Olimpo,
e acredito que com amor ,
o meu mundo se fez manifestação de Sarasvati em seu umbigo.


Äpathie Dread



Ps: Gratidão,Amor,Desobstrução,liberdade,evolução,tato,paladar,música,silêncio,
ar,céu,solitude,piscar,morte,renascer,vida,ciclo,aprendizado,choro,riso,grito,impaciência,correr,acalmar,ajudar,sofrer,querer,desapegar,iniciar,transmutar,conseguir,paixão,tesão,especial você se tornou,para mim,
captar,sentir,absorver,montanhas,seio e o sexo da lótus.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Coisas dos meus anos 90


Quando eu era criança eu queria muito ter um macaco. Sonhava muito em tê-lo pois ele se expressava animadamente e agia semelhantemente a um humano. Eu sou filha única,e achava que tendo um macaco ,ele supriria esta ausência de companhia de um alguém,mas seria melhor ser preenchido por um animal pois a sinceridade iria ser nítida,assim como a inocência e pureza.
Ia constantemente ao Instituto do Butantã com meus pais,via os animais,mergulhava no mundo mágico deles,porém limitador por detrás daquelas jaulas,aquários e viveiros artificiais. Acho que por uma fração de milésimos me pegava pensando "- Por que é que estão aqui?..." Mas não chegava questionar mais afundo,por isso que este pensar era como um piscar na vastidão de minha mente puéril.
Enfim,me perseguia idéia,e o sonho de ter meu amigo macaco que corresponderia meus abraços,as brincadeiras,os risos,os carinhos,beijos e mimos. E em um belo dia me enchi de coragem e pedi aos meus pais.Eles de ínicio me expuseram a limitação de conseguir o animalzinho,porém pela minha insistência falaram que iriam analisar o pedido depositando-me até esperança de concederem esta glória. Meu pai chegou até falar com um amigo dele que trabalhava numa ala que me lembrava mais um serralheria do Instituto,lembro até dele citar um cobra,um rato e o meu macaco. O amigo de meu pai falou que solicitaria ,porém seria dificil. Então ao sair de lá,e passar pelas outras jaulas,e ter captado que nos diálogos quando me referia ao macaco eles sempre acrescentavam o diminutivo "inho",achei estranho,pois meu macaco não seria tão pequeno para ser denominado como "macaquinho". Então apontei numa jaula enorme cheia de macaco rhesus e falei : - É daqueles que eu quero! São parecidos ,mas são iguais,algo assim.
Meus pai logo exclamou: - Estes macacos são bravos! Não tem nem como!
Mas o macaco que queria era dócil,via ele abraçando as pessoas na tv,rindo,desenhando,e fazendo atividades semelhante as nossas ,mas na verdade queria dizer o tempo todo que queria um chimpanzé .
Como tudo muda,hoje em dia sou adepta do veganismo. Sou contra o especismo,e sou a favor a à alternativas que substituem a vivissecção que não seja prejudial a nenhum ser.Sou a favor da liberdade,da vida,e dos amigos livres,longe de jaulas e de cárcere domiciliar.Tem os animais que residem conosco,denominados como domésticos,estes também devem ser respeitados,bem tratados e sentirem-se importantes, não serviçais dos humanos que se julgamos superiores donos do mundo. Pois para mim,todos somos UM, e a pretenção e egoismo humano só me faz crer que os reduzem a um bando de babacas atrofiados,que se acham conhecedores de muitas descobertas e concebedores de avanços tecnológicsque,mas na verdade não sabem de nada e nem das infinitas e profundas manifestações inteligentes e soberana da natureza.




Äpathie Dread

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

"Valvulite de escapatite do deslocamentose"


Como um segredo contado ao ouvido,

o lábio retesa-se,

as unhas vermelhas de sangue fresco,

dilaceradora de carne dos titãs,

parecia frágil,

pequena,

mirrada onda esmagaria com os pés,

porém,tinha uma voz avassaladora,

de derrubar todas as torres de seu castelo,

mundo paralelo,

insonhável,

se espalha,

se perde,

move-se andando perpendicularmente entre as arestas do vento,

sem coêrencia,

sem regras,

a manga é relógio,

seu suspiro é anel de quilates,

o certo é o errado,

e o errado é o certo.

Sem sentido,

ignorada,arde como fogo de mil sóis,

derrama-se feito lava de mil vulcões.



Dançava nua,

na ponta do nariz do padre,

que reprimia seu desejo animalesco por ela,

oprimia a sua gula,

esmagando pedaços graudos de bolos com confeitos coloridos,

dentro de sua batina.

Indisciplina,

eu não pedi para nascer,

pés descalsos no chão forrado de prego,

marcas e linhas na palma da mão,

sobre-vidas torturantes,

sofria bullying na escola da vida,

rompeu com as pupilas,

todos os seus padrões."



Äpathie Dread

domingo, 22 de novembro de 2009

Nódoas de Leumas


Eu não escrevo só porque é bonitinho,

exteriorizo o caos,
meus devaneios,

os enroscos de minha faringe,

e o gesticular frenético de agônia ,

quando não consigo nem ao menos chingar.



Eu não escrevo sobre fatos fofinhos,

bonitinhos e pomposos que nem o andar da lagarta colorida,

o bocejar do gato,

o canto do passarinho azul de peito branco,

inexistencias fantásticas criadas em minha mente,

só para me confortar.



É do romance com sua linha tênue pro fim,

a perda de algo,
a morte e o limbo,

a ausência de si mesmo,

a onomatopéia do susto antes de tropeçar,

ou cair,

num mundo étero sem fim,

que me insandece,

alivia a alma cheia,

gorda feito baleia,

como néctar que me entorpece pondo-me a escrever.



Äpathie Dread

domingo, 15 de novembro de 2009

Queimadura éterea de 6º grau


Urrrrghhhh

Ardência que me inferniza,

me traz a cólera.

me traz a ira.



Não olhe sequer para a minha direção,

sinto vontade de explodir seus olhos,

te ver fritar,

e seu sangue jorrar.



Detestável e imundo demônio,

sempre culpando os seres de vibrações mais baixas,

olhe para ti mesmo ó horrendo ser.



Pessimismo cortante,

que afujenta os buscadores de sonhos falsos,

a vida também é afogueada de tortura meu irmão,

é defloradora com falo de caos minha senhora.



Odiosa ferruada onde não alcanço as mãos,

o detestável feito de normal,

tentando sublimar,

fingir que é normal.



Lacinante que chega a lacrimejar ,

caido de barriga no chão ao tentar alcançar,

a mão esticada no ar,

os dedos entreabertos e a cara de idiota.



É raiva contida,

sonhos incessantes de nosso desafeto,

xingos em outro dialeto,

onde em pensamento é impossivel machucar.




Vou atravessar o mar,

na volta te conto o que vi.





Äpathie Dread.






Idiossincrasia molecular do ar que sai de nossas bocas em dia de frio.



Ai então,

ele de uma maneira horrivelmente débil,

me lembrou muito o detestável jeito do meu pai.



Desconfortável,

falei que me sentia engasgada,

e então ele disse:

-Enfia o dedo na garganta.



Um ceifador que vibrou a linha da minha vida,

não rompeu-a porém provocou um abalo sísmico em minhas terras.


O fraco,

querendo transfigurar sua fraqueza àquele que é forte,

sensivel,

porém forte.


O fraco,

limita-se àquele que com suas grosserias se acha inatingivel,

com seu escudo de áspera dor,

de dificuldade de manifestação de carinho,

e de incondicional amor.


Não sinto mais em minha boca aquele néctar dos Deuses,

está tudo tão insipido.

Não tornou-se inodoro,

pois sinto todo o cheiro desta impiedosa podridão.



Eles têm prazer em me ver gritar,

e hoje em dia por manter-me muda,

eles me odeiam.


Mais,

cada vez mais.

Minhas cordas vocais somem,

pois chegaram a exaustão,

de dar importância a esta infatilidade demoniaca dos ausentes de si mesmo.



Um desprazer pregou-me ao fundo deste caixão,


fechado inibindo-me a visão do sol,


do conforto pedi ao estar entre sono e despertar,


que Deus me levasse pois estava cansada desta vida fatídica.



Queria apenas dormir meus eternos "mais 10 minutinhos",


livrar-me da roda viva de repetições insignificantes,


de palavras já ditas,


de sentidos repassados de geração a geração,


e de histórias já vistas.







Äpathie Dread.