
Foi bom eu ter faltado nestes dois dias, pois eu estava esquecendo o que eu era e estava me tornando máquina.
Faltei ,sim Faltei! Admito isso! O emprego é razoavelmente bom, para quem quer crescer na área ,tenho “espaço” no ambiente de trabalho e a cobrança não é tanta,mas espera lá,eu não sou efetivada,hum.... Está ai a maleabilidade temporária.
É emprego temporário,5X2,10 horas de jornada incluso 1 hora de almoço,um salário medíocre-comparado com o lucro que damos a este país e somos roubados todos os dias-Vale refeição que dá para o gasto e condução para cumprimento do oficio que digamos que o “excedente” foi obtido através de um jogo de cintura,poxa final de semana eu saio,e durante a semana se o ônibus quebrar e a integração acabar? Não posso tirar do meu bolso,estou a caminho do trabalho ué!
Mas infelizmente mesmo com estes “benefícios” entre outros,não pode-se fugir da rotina. Acordar 03:50,despertar,ficar com os sentidos apurados,ficar consciente,levantar,tomar café quando dá, logo ir para o banho para despertar de vez e fazer a limpeza pessoal escovando também os dentes,sair, me vestir com a roupa separada para ao longo da semana,ou quando o desgaste é muito, pego a que eu for mais com a cara,ou que está mais limpa.Enfim,dou os retoques finais na casca,como passar perfume,me maquiar e pentear os cabelos,dou “tchau” a mãe e vou.
A parte do ir,haja coragem e estômago,pois tem gente que além de não ter zêlo pelo seu próprio corpo com uma “inhaca “ aterrorizante misturada a cheiro de aguardente,esquece que a condução é coletiva,e ainda mais,que saímos em horário de pico,uma vez que somos classe trabalhadora,ou seja irá lotar.Detalhe isso dura todos os dias duas horas para ir e duas para voltar,ô tortura! Utilizo de meus fones de ouvido como subterfúgio, meu mp3 com um arsenal de inibidores de conversas alheia ,onde estas por suas vez são futilidades e alienações da grande massa como: novela,fofoca,o barraco que aconteceu na casa da vizinha,a oferta do mercado,o menino que está indo mal na escola ou a filha que está de namorado novo,o netinho recém nascido ,a receita nova ,a máquina de lavar nova da comadre,o carro vermelho do vizinho e por ai vai. Todo o dia,todo o santo dia.
Ao descer do coletivo ,o mesmo trajeto a pé para o “tripalium’,quer dizer trabalho,ah,mas para mim trabalho sempre será tripalium devido aos interesses financeiros dos governantes de nossa nação,ou seja,expandirem suas riquezas e nos reduzir –e nossas futuras gerações- sempre ao mesmo papel ,a de engrenagem.
Rotina,rotina,rotina... Odeio-a quando chega a um determinado ponto,o que eu me sinto um robô. Sou taurina,meu signo por si só é fixo,porém meu ascendente em sagitário me faz ser mutável,poxa! Convenhamos agir mecanicamente não é nada agradável,de certa forma perdemos nossa identidade,e é isso que percebi que estava ocorrendo. Eu havia esquecido a espontaneidade dos meus gostos,pois então perderia o horário de voltar do almoço,não me atualizava mais em livros interessantes ,pois não se pode ler em horário de produção, não poderia comprar o baixo que queria antes de começar a trabalhar, se não daria desfalque no final do mês no dinheiro que serviria para pagar o telefone,comprar o alimento de casa entre outras despesas essenciais.Ou seja ,me vi presa no ciclo do consumo metropolitano,para sempre me dispor a ser uma engrenagem ficando fixa neste circulo de produzir,receber mal por isso,gastar para sub-existir ,com o que sobrar guardar para desfrutar da velhice fatídica e depois morrer desexistindo como se nunca –e realmente- tivesse vivido a MINHA própria vida.
Faltei mesmo!Ontem e hoje. Minha avó teve um enfarto,bem isso é o que eles acham.
Äpathie Dread